Energias para a Semana 1-8/8/21: A TEMPERANÇA / ARTE XIV E A ESTRELA XVII

Por Clara Days:

Palavras-chave: equilíbrio esperançoso; optimismo integrado; elevação com moderação.

Quando a Estrela vem, acorda o melhor de nós, o lado mais puro, sensível e essencial. Abre-nos os olhos da alma, acendendo a luz interior que nos faz perseverar em todas as circunstâncias, mesmo as mais adversas. A Temperança traz esse sonho espiritual para a complexidade da realidade, propondo um equilíbrio que é construído, pela combinação dos contrastes que nos rodeiam.

Temos dias luminosos para viver, mas estamos no olho do furacão dos tempos difíceis por que passamos, há que saber mantermo-nos lá.Espiritualidade à parte, quero lembrar que a Temperança / Arte tem vindo recorrentemente, como símbolo dos tempos de pandemia, nestas leituras semanais. Contabilizando (se é que isto tem muita validade), desde que comecei a fazer uma combinação de duas cartas, em Abril passado, tivemos connosco este Arcano XIV sete vezes, em dezassete, com intervalos quase matemáticos.

Voltando então à metáfora de hoje, com a Temperança temos estado no “olho do furacão”, entre a Morte e o Diabo, entre a mudança radical e o instinto, procurando consensos, equilíbrios, combinações de contrastes que nos mantenham de pé e em segurança, apesar de todas as tormentas.Nas imagens das cartas, ambas transportam fluidos: o anjo da Temperança consegue prodígios de gravidade, entre duas vasilhas, com substâncias contrárias, enquanto que a mulher nua que representa a Estrela verte, de duas idênticas vasilhas, para a água corrente, alimentando-a.

Assim, se a Temperança é um anjo que nos inspira, a Estrela mora dentro de nós, não no céu. Se a primeira representa um processo mais racional, mas criativo, a segunda é intuitiva e espontânea. A Estrela, despida de tudo, dá-nos o sonho dos novos lugares que queremos alcançar, a Temperança põe-nos a mão no leme, ensina-nos a usar os ventos mais adversos a nosso favor. À nossa volta, mas também dentro de cada um de nós, receios e anseios confrontam-se sem cessar, neste novo estar em que precisámos de aprender a não prever futuros. No entanto, se esperança morresse, nada faria sentido.

A esperança é a nossa condição de sobrevivência interior, uma confiança íntima de que há sempre algo de bom à nossa espera, mesmo quando está invisível. Vem agora temperada, moderada, porque também já percebemos que nos basta deixar acontecer, temos que ir procurando, todos os dias, construir o equilíbrio possível.Mais do que sonho, a Estrela é anseio, focado em coisas profundamente verdadeiras, mas materialmente fugazes. É um desejo de elevação espiritual, almejando atingir metas que representam a nossa mais pura essência, o nosso eu verdadeiro. A Estrela está debruçada sobre a água da vida, onde se reflecte o céu. Sobre este anseio, pairam as asas da Temperança, sinais dos tempos: mais do que pedirem contenção, elas propõem a estratégia para a sobrevivência.Sobreviveremos, e com esperança. Assim é da nossa condição humana, no mais nobre que tem.

Imagem: Midcenturian Tarot, de Madam Clara (Clara Vaduva), 2016

Clara Days

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