Energias para a Semana 7-13/22-A TEMPERANÇA / ARTE XIV E O MUNDO / UNIVERSO XXI

Por Clara Days:

Ideias-chave: perspectivar com moderação; sintetizar para equilibrar; temperar a visão de futuro com a lição do passado

Já não nos visitava há algum tempo esta Temperança, ou Arte, que em 2021 foi uma companhia recorrente. Traz consigo a dupla qualidade de, por um lado, ser moderadora, e pelo outro ter um potencial transformador, a partir das contradições que existem.

Com a Temperança ao leme, o desafio é sermos capazes de, num misto de diplomacia e criatividade, agarrarmos nos elementos dissonantes com que nos deparamos para juntá-los numa combinação inovadora e positiva. É a Arte da Alquimia, que dissolve e combina, para que resulte uma nova substância, mais sublime.

Temos então a Temperança a moderar-nos a atitudes, símbolo dos tempos extraordinários e contraditórios que vivemos. Mas vem agora combinada com o Mundo, ou Universo, o último dos Arcanos Maiores do Tarot, que anuncia uma mudança de era.

A coisa mais importante que o Mundo / Universo nos pede é que sejamos capazes dum olhar retrospectivo e de fazermos uma síntese do que foi efectivamente relevante. Estou no ponto em que posso olhar para trás e para a frente, e as novas metas que definir dependerão da capacidade que tenho de retirar lições do passado e aplicá-las ao futuro. Há uma ideia simultânea de conclusão e de transmutação, que posso agora articular com a alquimia da Temperança.

Parece-me que há dois modos de interpretar esta dupla de Arcanos, que inspiram a nova semana, trabalhando em conjunto: numa perspectiva mais absoluta, poderíamos dizer que vêm anunciar a possibilidade de grandes transformações, com potencial para ter um importante impacto positivo; mas a Temperança vem sempre ligada ao concreto, às circunstâncias, e isso obriga-nos a relativizar e redimensionar a amplitude do alcance do Mundo. Pode haver um potencial de mudança, sim, mas tem que ser gerido dentro das condicionantes que pesam sobre nós. É preciso ter arte e criatividade do nosso lado, para trazer para o concreto condições de transformação.

Um pede-me síntese, a outra combinação. Um trabalha num cenário macro, alargado, a outra lida com o concreto, com o imediato. Posso olhar de cima, mas tenho de manter os pés na terra. Do que já passou, devo ser capaz de retirar o essencial, e sobretudo de retirar as lições. Depois, é gerir o que posso fazer, dissolvendo o que é contraditório e recombinando elementos.

Alguma coisa posso mudar, por estes dias, mas tenho que ter o que já passou em mente e saber trabalhar com o que me rodeia.

Imagem : Wildwood Tarot, de Mark Ryan, John Matthews e Will Worthington, 2011

Clara Days

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