Energias para a Semana 20-27/2/22: O LOUCO 0 E A LUA XVIII

Por Clara Days:

Ideias-chave: Entre inconsciência e inconsciente; enfrentando fantasmas; novos começos, mergulhando em si

Na semana que agora iniciamos, os desafios são aceites sem quaisquer restrições, mas há viagens interiores para fazer. É o Louco quem aceita os desafios, mas a Lua leva-nos para dentro.

O Arcano Zero traz sempre consigo a energia de um começo, com confiança cega e entrega sem restrições. Vive no momento e para o momento, solto do passado e inconsciente do futuro, sem medo, nem bagagem. Aceita as circunstâncias sem problematizar, corre os riscos sem ter noção deles. É a criança imatura e alegre, é também aquele que já viveu de tudo e sabe que não tem nada a perder, que a vida é uma espécie de somatório de pequenos nadas e que vale a pena vivê-la sem questionar, fazendo-os mais felizes. Inspirados pelo Louco, voltamos à essência, ao potencial absoluto, tanto podemos estar no princípio como no fim.

Mas vem a Lua, para contrariar a leveza do Zero. Vem a Lua, trabalhando também no inconsciente, mas um inconsciente pesado, carregado de memórias mal digeridas, de medos irracionais, de recantos escuros e dolorosos. Traz consigo o passado que nos assombra, os abismos da nossa alma. Com a sua luz fraca, provoca mais sombras do que claridade – são as facetas do nosso comportamento que não sabemos explicar, o nosso lado obscuro e sofrido. A Lua leva-nos para os caminhos que geralmente tentamos evitar, ignorar ou até negar.

Como viaja o Louco, por entre as sombras da Lua? Lembremo-nos que a escuridão delas provem do nosso passado mais primitivo, dos traumas e segredos que nos ficaram da infância, enraizando-se como medos que nos assombram os sonhos. Ora, o Louco enfrenta as ameaças que bloquearam o seu coração, quando passa pela Lua, encarando os monstros de frente, confiando em si mesmo. A sabedoria inocente do Louco não se deixa assustar pelas memórias dolorosas, consegue desfazê-las em poeira. Ele pode destruir-lhes o potencial negativo, procurando antes, na Lua, as emoções mais puras, autênticas e profundas, a ternura e a sensibilidade.

Não adianta negar que temos medos, que transportamos em nós uma criança assustada, que as vivências dolorosas por que passámos deixaram marcas que tendemos a reviver, angustiados sem nos lembrarmos porquê. Mas há momentos da vida em que temos que ser suficientemente loucos para arriscar a confiança, por entre os medos. Há momentos em que é a loucura que nos salva. Este pode ser um deles.

Imagem : After Tarot, de Pietro Alligo e Giulia F. Massaglia, 2018

Clara Days

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