Energias para a Semana 10-17/4/22: A IMPERATRIZ III E O CARRO VII

Por Clara Days:

Ideias-chave: estar bem ou estar inquieto; sensações e desapego; de bem com o corpo, seguir em frente.

Nesta semana que culmina com a primeira Lua Cheia da Primavera (ou do Outono), os Arcanos que nos inspiram pertencem a áreas bem distintas da vida pessoal. Eu diria que tudo se joga em nós, no nosso sentir, estar e agir.

Primeiro, a Imperatriz, símbolo da Mãe-Terra e de tudo o que á natural e que germina. Ela é talvez a carta de Tarot que mais se relaciona com algumas das tradições da Páscoa, que são as mais pagãs: a lebre, o coelho, os ovos, outras tantas representações simbólicas de fertilidade.

Viver com a Imperatriz é estar ligado à terra, na acepção mais literal da palavra. Quando a Imperatriz me visita, fala-me do estar bem no meu corpo e do cuidado que tenho com a vida que me rodeia. Enquanto Mãe, é generosa e protectora, assumindo a guarda de pessoas, animais e plantas pelas quais se responsabiliza. É toda ela sensações e gestos espontâneos, nada racional, essencialmente natural.

Já o Carro me surge como símbolo de situações da vida que exigem que me desapegue e afaste do lugar onde tenho estado. Há no Carro um apelo à acção, uma acção reactiva, quando me impele para fora do que até agora foi zona de conforto, mas da qual preciso de partir, em busca de um caminho novo, único e pessoal. Parto porque se tornou impossível ficar onde estava, mas atenção: vou sem destino definido, terei que tomar decisões a cada encruzilhada.

Vejamos agora como pode ser o efeito conjunto destes dois Arcanos, tão diferentes um do outro. Embora nada me diga que a Imperatriz é estática, há na sua definição uma ideia de “estar” que presume a ligação a um espaço, o que me é em tudo negado pelo Carro, que se desloca permanentemente, explorando território, mas sem pertencer a nenhum lugar. Como compatibilizar estas duas energias?

Podemos considerar que as duas cartas se contradizem e, nesse caso, estaremos a encarar uma semana de hesitação entre o estar e o partir, entre o cuidar e o explorar, entre o ficar ligado e o desapegar-me. Há nesta dicotomia como que uma turbulência de contraste, indiciando inquietude e sentimentos contraditórios. Fico, ou vou? Deixo-me estar e tomo conta do que está, ou escolho cuidar apenas de mim e deixo tudo para trás? É provável que nos vejamos confrontados com hesitações desta natureza.

Tentemos ver se é possível compatibilizar os dois, de algum modo. Para isso, terei de considerar a Imperatriz de um modo mais “egoísta”, assumindo a sua dimensão de bem-estar no seu próprio corpo, de conexão com a saúde, influenciando o condutor do Carro no seu modo de sentir. É que esse condutor tende a ser rígido e defensivo, costuma usar couraça, evitando expor a sua vulnerabilidade. A Imperatriz pode adoçar-lhe os contornos, mantendo-o disponível para se relacionar com o que se passa fora, com a natureza e até com os outros. Assim, sigo no Carro de bem comigo e capaz de apreciar a paisagem, de tirar partido dos lugares por onde passo, de me conectar com aquilo que sinto ser compatível comigo.

Vou de viagem, mas posso sentir-me bem. Cada escolha de caminho, bem racional, pode ter subjacente uma adesão mais instintiva. Preciso de partir, mas aceitarei relacionar-me, na chegada, lá onde chegar.

Imagem: Tarot of the Old Path, de Sylvia Gainsford, 1992

Clara Days

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