Energias para a Semana 30/10-6/11: –O LOUCO 0 E O MAGO I (COM O HIEROFANTE V)

Por Clara Days:

Está no ar uma energia de começos, cheia de possibilidades e de espírito inovador. Entre o Louco e o Mago, a ingenuidade confiante do primeiro alia-se à criatividade cheia de iniciativa do outro. Mas o símbolo das restrições colectivas continua a inspirar o cenário, com um Hierofante que, representando sempre uma opção, é sempre a imposição de uma regra, com que pagamos a pertença ao grupo dos nossos pares.
Entre o Louco e o Mago, há uma etapa em continuidade. Do 0 ao 1, da potencialidade à unidade, a jornada do peregrino transita, na busca de uma identidade. A inocência do Zero, paradoxalmente, carrega em si a mais profunda e despojada sabedoria, a que podemos retornar, depois de muito viver e de muito saber. Tudo é possível, tudo é desejável, tudo parece favorável. Corremos riscos que nem sabemos correr, mas, é certo, sem correr riscos nada se aprende, não se evolui. Há uma enorme disponibilidade para o mundo, para o que se passa à nossa volta, que é percebido como uma aventura que começa.
Vem o Mago e foca. O Mago usa o seu potencial juvenil de inteligência mercuriana no trabalho para fazer acontecer. Já não se limita a explorar, selecciona e aplica-se em procurar soluções novas para o que percebe como problemas que precisam de ser resolvidos. Para o Mago não há impossíveis, porque ele tem a capacidade do improviso produtivo, quando mobiliza a sua criatividade para usar o que tem à disposição como ferramenta para solucionar. Há sempre muito individualismo no seu agir, não nos esqueçamos do seu número, Um.
Toda esta efervescência nos visita agora, mas com um grande travão: o Hierofante. O Hierofante é o peso da pertença ao grupo, e não se trata de um mero grupo social, mas de um grupo ideológico. O cimento que congrega os seguidores deste Arcano Cinco são as convicções profundas, aquilo em que acreditamos e que podemos aprofundar intelectualmente. Seguindo o Hierofante (Sumo-Sacerdote) ou investidos nós próprios do seu papel, pomos acima da vontade o ideal, a moral. A tribo que aqui está aludida é o conjunto daqueles que são educados numa mesma fé, ou ideia, ou daqueles que escolhem pertencer a uma nova fé, ou ideia: pagamos o preço da pertença no cumprimento das regras, que aceitamos como verdadeiras ou justas.
Num prato da balança temos a nossa identidade única, entre a confiança do Louco e a criatividade do Mago; no outro, temos o Hierofante, símbolo de um colectivo a que achamos justo pertencer e tudo o que isso acarreta em termos de seguirmos uma ideologia e assumirmos os respectivos preceitos e compromissos.
Onde nos situamos? Que jogos de cintura faremos para preservar quem somos mas, ainda assim, pertencer? São estes os desafios da semana que agora entra.


Imagem : The Slow Tarot, de Lacey Bryant, 2019

Clara Days

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