Energias para a Semana 20-27/11/22: I CARRO VII E O EREMITA IX (com A JUSTIÇA / AJUSTAMENTO VIII / XI)

Por Clara Days:

Ideias-chave: do desapego ao auto-conhecimento; equilibrar independência e introspecção; viajo em busca de mim.

Há qualquer coisa que precisa de se romper, um ímpeto para nos desapegarmos de onde temos estado, sairmos do que foi a nossa zona de conforto, mas que já não o é agora. Só que o apelo interior teima em fazer-se sentir, pedindo paciência, num caminho de auto-conhecimento.

Quando o Carro vem, o condutor deve pegar nas rédeas e determinar por onde quer seguir, controlando os seus cavalos. Por aqui ou por ali? A cada momento decide, com a certeza de que não quer voltar para trás. Há movimento, determinação e desejo de descoberta, misturados com algum ressentimento pelo que se passou antes e que deixou marcas doridas.

Com energia de sinal contrário, pelo menos à primeira vista, o Eremita vira-nos para dentro e pede um maturado processo de instrospecção. Paciente, perseverante, ele atenta nos detalhes, nos pormenores, nada lhe escapa.

Os tempos são, pois, diferentes, de um para outro: enquanto o Carro quer movimento e parece trazer alguma pressa, o Eremita precisa de calma e ponderação. Entre ambos, Arcanos 7 e 9, está a Justiça, ou Ajustamento, o 8, ligando-nos às circunstâncias, ao que se passa fora de nós e entre os outros, a que temos que nos ajeitar. Isto simboliza, portanto, um tempo complexo, com múltiplas influências e contradições.

Mas atentemos no seguinte: há sempre no condutor do Carro uma faceta de reserva em relação aos outros, uma couraça defensiva, protectora, que de certo modo o isola. É um percurso solitário, que o Eremita sugere que seja também um tempo introspectivo. Viaja por fora e por dentro, desta vez, o condutor do nosso Carro. Enquanto vai tendo que decidir, vai também questionando as suas decisões, procurando enquadrá-las nos seus padrões anteriores de conduta, e reduzindo necessariamente a velocidade, para ter mais tempo e reflectir.

Depois, há as circunstâncias, a força do que nos rodeia e que exige que nos adaptemos. Empurrados para a frente, interpelando a nossa vontade e as nossas motivações, temos ainda que ter em conta o que nos rodeia. O que prevalece? O que nos condiciona, ou aquilo que parte de nós? É todo um jogo de cintura, que pede muita maturidade.

Não são tempos fáceis, eu diria antes que são tempos altamente desafiadores. Certos de que temos que seguir o nosso próprio caminho, teremos que medir cada passo à luz da nossa experiência e da nossa verdade, gerindo o processo de acordo com a força das circunstâncias. Teremos que saber estar à altura dos acontecimentos.

Imagem : The Field Tarot, de Hannah Elizabeth Fofana, 2021

Clara Days

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