Os Céus nos primeiros seis meses de 2022

Tocam os sinos, há foguetes, fazemos votos, começa um novo ano. Mas nunca começam de novo e muito menos 2022 que chega arrastando um lastro mal colocado que nos desequilibra desde a partida. Claro que ao longo do ano haverá alturas em que os ventos correm de feição e passamos balizas quase esquecidos do que já mudou e sem a inquietação do que estará na sombra por mudar. Em 2022 vamos fechar várias etapas e ter vislumbres das novas regras que a partir de 2023 nos condicionarão.  

Há vários ângulos possíveis para abordar uma visão geral sobre 2022 mas, como pano de fundo temos- e até Março de 2023- Plutão em Capricórnio, entre os 25 e os 28 graus, com um período de retrogradação entre 30 de Abril e 9 de Outubro de 2022. De uma forma simplista, é este Plutão que, desde 2008, tem vindo e vai continuar a revelar variadíssimos podres das organizações financeiras e políticas, logros, corrupções, manipulações de bastidores e a ascenção de poderes sem rosto como as grandes corporações, semeando discréditos institucionais que as forças tradicionais que restam assentes em Saturno, regente do Capricórnio, em trânsito em Aquário, se esforçam por controlar. 

Outra tendência que vem de 2021 para 2022 é a do confronto entre as velhas regras e o que se desejam ser novas liberdades. Esta tensão jogou-se por vezes violentamente ao longo de 2021 com três grandes quadraturas entre Saturno em Aquário e Urano em Touro. Em graus exactos, a primeira foi logo no início de 2021 com o assalto à Casa Branca, a segunda em meados de Junho, em manifestações de Jacarta a Bogotá e, a terceira, nos dias de Natal. Por causa dos limites impostos pelos governos para limitar a propagação do vírus, por causa dos impactos económicos de medidas restrictivas, em nome da liberdade de escolha, essas quadraturas levaram a contestação às ruas em todo o mundo, numa chamada de atenção para a tensão social extrema entre quem manda e quem é mandado.  

Urano não é só contestação.  Representa também a inovação tecnológica pela descoberta do novo, bem representada, em plena quadratura de Natal, pela descolagem, rumo ao infinito, do telescópio Webb, à procura do passado para percebermos melhor o nosso futuro. Também sob esta última quadratura, o Congresso dos EUA chamou em audiência um grupo de CEOs das cripto moedas- de que Urano em Touro é o símbolo perfeito! Responderam à sugestão de regulamentação saturnina com uma inequívoca deslocalização para outras esferas…E outras inovações -Urano- como a carne -Touro- feita em laboratório graças às mais extraordinárias tecnologias…

Essa tensão de tempos e desejos não desaparece dos Céus em 2022. Apesar de não voltarem a fazer quadratura exacta ao minuto, o facto é que Saturno e Urano vão confrontar de novo forças, chegando a olhar-se claramente de revés, dos 18 graus de Aquário para os 18 graus de Touro nas primeiras semanas de Outubro de 2022. É uma órbita de influência de dez meses que não podemos ignorar e em que muito pode ser revelado nos domínios da inteligência artificial seja para aplicação financeira seja controlos sociais- já que é também aqui que se inserem os passes sanitários digitais.

Apesar de só voltar a haver uma quadratura exacta entre Saturno e Urano, entre Aquário e Touro em Outubro de 2022, todo o mal estar deste 2021 permanece latente. Mantem-se subjacente à gestão do colectivo e às contestações que vamos viver social ou individualmente -conforme a localização destes aspectos no nosso horóscopo natal.  O Touro e o Aquário são signos fixos, rígidos, para os quais a mudança é difícil, o que torna aspectos de tensão como as quadraturas ainda mais difíceis de resolver. 

O Capricórnio é um signo cardinal, de acção e é daí que vem o motor de todos os desenvolvimentos a que Saturno e Urano respondem. Assim, é a acção profundamente transformadora de Plutão em Capricórnio que vai forçando as alterações nas estruturas de poder político e financeiro globais e na nossa organização de vida pessoal. É isto que está na origem do esforço de contenção do colectivo simbolizado pela resistência das forças de Saturno e na revolta ou apelo à inovação das forças de Urano.   

Plutão e Urano são planetas transpessoais. Marcam gerações ou marcam períodos históricos pelas mudanças que impõem. Para afinar os tempos dessas mudanças em 2022 é preciso atender às posições dos planetas mais próximos da Terra, os planetas pessoais que, quando alinhados com os transpessoais, catalizam desenvolvimentos na vida de todos e na vida de cada um.  Vai ser na primeira semana de Março que Marte e Vénus estarão conjuntos a Plutão numa imensa orquestração de mudança de regimes e de organização colectiva ou individual. Marte está exaltado em Capricórnio, porque a vontade, a força, a perseverança ou determinação que simboliza produz resultados maiores no signo do governo e da disciplina. É assim em Capricórnio que Marte é mais forte e a sua acção exacerbada. Marte conjunto a Plutão é uma bomba despoletada. E que faz Vénus conjunta a Marte e a Plutão? Que simboliza a sua presença neste vulcão?

Para melhor entender o impacto de Vénus nessa vizinhança é preciso recuar a 7 de Novembro de 2021, data em que entrou em Capricórnio e seguir o seu percurso desde então até chegarmos ao início de Março.

Vénus não está confortável em Capricórnio, Vénus rege o dinheiro, as relações, o bem-estar, as riquezas, prazeres, a beleza, as artes e equilíbrios de toda a natureza, emocional, jurídico, financeiro, politico. Capricórnio simboliza a disciplina, a ordem, o longo prazo, a autoridade. São energias pouco compatíveis, apesar de Vénus não estar nem em queda, nem em detrimento no Capricórnio. Vénus vai sujeitar-se a essas forças maiores. É sobre o que Vénus simboliza que as forças de Plutão, em acção em Capricórnio, vão agir. Assim, em termos colectivos, entrámos em Novembro passado num período longo de quase quatro meses em que é forte a probabilidade de alterações estruturais, regulamentares dos mercados financeiros, e das regras do jogo jurídicas ou diplomáticas. E enquanto Vénus está em Capricórnio, as relações e o dinheiro estão espartilhadas, dominadas por regras que ultrapassam e restringem os afectos- não houve abraços no Natal e vamos ter de esperar pela segunda semana de Março quando Vénus entrar em Aquário para nos relacionarnos mais livremente.

O estado das relações pessoais e financeiras sob a influência de Vénus começou a ser revisto quando, depois de uma conjunção a Plutão a 11 de Dezembro, ficou estacionária a 16 de Dezembro – antes de entrar retrógrada a 20. Isto correspondeu logo a um aumento da liquidação nos mercados financeiros e, à decisão, no mesmo dia, do Banco de Inglaterra subir as taxas de juro como medida para controlar a inflação.  Essa inflação começou a aumentar em Maio de 2021 quando Júpiter entrou em Peixes mas com a retrogradação semanas mais tarde, deixou de ser notícia. 

Vénus retrógrada está novamente conjunta a Plutão logo após o Natal de 2021, faz conjunção ao Sol por volta de 10 de Janeiro, entra directa a 30 de Janeiro e fecha este ciclo de transformação na conjunção a Plutão e a Marte na primeira semana de Março. Historicamente os períodos de retrogradação de Vénus coincidem com mudanças de política monetária, grandes altos ou baixas nas bolsas, mais ainda agora em Capricórnio a caminho de uma conjunção a Marte e a Plutão que rege a dívida.  Com Vénus retrógrada repensamos o dinheiro e as relações, Vénus rege o Touro onde Urano está em trânsito e esta energia pode acelerar surpresas e reviravoltas no sentido do que tem ou não tem valor. Plutão, que co-rege com Marte, o Escorpião que se opõe a Touro pode, nestas circunstâncias, vir a afectar não só os mercados financeiros como os de bens e mercadorias. Enfim… muito pode acontecer até Março que condicionará o estado das economias e resposta social no resto do ano. 

Veremos no entanto, logo no início de Janeiro, com Júpiter a voltar a Peixes o que acontece com os índices de inflação. Se subirem, serão o sinal da maré a que Plutão, Marte e Vénus vão responder com turbulência – com o Sol conjunto a Júpiter e sextil a Urano – nessa primeira semana de Março. 

Júpiter é o planeta que rege Sagitário e Peixes. Estará assim em casa, no seu domicílio, a partir do dia 29 de Dezembro. De seguida, avança rapidamente por todos os graus do Peixes até chegar a Carneiro a 10 de Maio. Segue até aos 8 graus de Carneiro até 29 de Julho, entra retrógrado, regressa a Peixes no final de Outubro, recua ainda até aos 28 graus de Peixe e a partir de 21 de Dezembro está de novo em Carneiro até Maio de 2023- de onde segue para Touro. Será um ano em que Júpiter dá certeza às ilusões, ilude as certezas, dá ímpetos que não têm ainda seguimento. Júpiter abre-nos planos de expansão depois do Natal de 2022 e aponta com largueza e abertura novos horizontes de acção para 2023, quando de facto entraremos num novo capítulo de organização geral.

Será Júpiter que tudo expande que trará consigo em 2022 a inflação que anunciou na sua breve passagem por Peixes em 2021? Que expectativas traz consigo, exacerbadas pelo encontro que vai ter com Neptuno em Abril de 2022? Neptuno é uma maré de emoções sem controlo, que se aplica a todas as áreas onde possamos perder a cabeça, imaginando sempre que o que sentimos é o que é. Os estados alterados de consciência suscitados por Neptuno pelo contacto com as artes, as drogas, o álcool, as espiritualidades ou as ideologias expandem-se como certezas ao contacto com Júpiter, exacto em meados de Abril, mas em órbita de influência por se encontrarem no signo que ambos tutelam, desde o início do ano. 

A última vez que ambos estiveram conjuntos em Peixes foi em plena corrida ao ouro na Califórnia 1856 e no arranque da segunda Guerra do Ópio -a primeira ocorrera em 1839 com Urano a ingressar em Peixes e Neptuno em Aquário. 1856 foi também o “Ano das Grandes Inundações” em França e no resto da Europa, assim como de vários tsunamis do Japão ao Mediterrâneo etc, não fossem os Peixes signos de Água e Júpiter e Neptuno mexerem fortemente com a força do seu elemento. No ciclo anterior de Júpiter e Neptuno em Peixes, em 1690, dera-se a grande corrida ao ouro nas colónias portuguesas e espanholas como o ouro do Brasil e da América Latina e o das colónias britânicas que Londres veio a estabelecer como padrão. Há também registos de inundações graves em Paris. Como curiosidade alegórica temos a publicação da “Primeira História Geral das Drogas”, por Pierre Pomet, em França, em 1690. 

Grandes ilusões, extrema sensibilidade, sonhos de riqueza, desastres naturais relacionados com a água e interesses derivados de substâncias psicotrópicas são assim marcas certas da conjunção de Júpiter e Neptuno em Peixes. É para lá que caminhamos em meados de Abril de 2022, logo a seguir a um aspecto no início desse mês que nada tem de romântico mas que é sim um apelo à responsabilidade individual face ao respeito das regras do colectivo. É Marte que faz conjunção a Saturno em Aquário por volta de 4 e 5 de Abril, na véspera de Vénus entrar em Peixes e de Júpiter e Neptuno fazerem também conjunção no mesmo signo. Será que as restrições globais por causa do Covid se levantam nessa altura, cabendo a cada um zelar pelo bem comum e que isso dê lugar a uma onda de ilusão colectiva de que tudo é de novo cor-de-rosa? Será que estamos à altura desse desafio de responsabilidade com Saturno e Marte quadrados ao Nódulo Norte em Touro e ao Nódulo Sul em Escorpião? Será que seremos capazes de transformar valores do passado em investimentos de futuro? Ou será que vamos atrás de uma nova fantasia, “ouro” ou ideologia que nos salve de nós próprios?

No último dia de Abril, depois destes tsunamis emocionais, financeiros ou reais, Plutão entra retrógrado a receber um sextil de Júpiter e temos uma Lua Nova e eclipse parcial do Sol a 10 graus de Touro, horas antes da Lua fazer conjunção a Urano, directo desde 19 de Janeiro.  Abrem-se janelas de oportunidade de inovação, investimento, pensamos que o pior já passou -e já deve ter passado. A retrogradação de Plutão até meados de Outubro dá-nos tempo para nos ajustarmos às transformações estruturais ocorridas desde o Outono de 2021 e corrigirmos os desvios possíveis na organização de vida colectiva e pessoal.  

Entra Maio e não há mais sonho, apenas acção. A Vénus em Carneiro desde 2 de Maio junta-se Júpiter no dia 10 e Marte no dia 24. Mercúrio retrógrado de 12 de Maio a 4 de Junho, em Gémeos e Touro garante que nada fique para trás compensando os excessos de voluntarismo dos restantes planetas em Carneiro. Um eclipse da Lua a 16 de Maio em Escorpião, conjunto ao Nódulo Sul também contribui para eliminarmos velhas amaras que nos prenderiam, agora que queremos compensar com novas iniciativas todas as restrições recentes. 

O facto de os eclipses ocorrerem em 2022 e até Maio de 2023 no eixo Touro/Escorpião dão-nos, tal como Plutão, mais informação de fundo sobre as áreas em que se exerce o processo de transformação estrutural da vida colectiva e pessoal, conforme as casas do nosso horoscopo onde temos Touro e Escorpião.  São dois signos fixos, um regido por Vénus e outro por Marte, que simbolizam o dinheiro, o poder, o controlo e a satisfação dos sentidos e das pulsões. O movimento actual dos Nódulos pede-nos que deixemos velhas garantias ou controlos para procurar estabilidade em novos valores, com sentido prático, os pés da Terra mas com os olhos no futuro, mais ainda porque é em Touro que circula Urano mostrando-nos outras perspectivas e possibilidades que nos obrigam a deixar ou regenerar as energias de Escorpião cegas pela vontade ou pelo desejo. 

Leia de Junho a Dezembro aqui.

Imagem: Tela de Caravaggio, 1596

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R.I

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