Que pensar dos Céus de Junho 2000 a Janeiro 2021??? – Parte I- A marca dos eclipses

Hesitei em escrever sobre Junho e seus os eclipses e retrogradações. Fiz os horóscopos para os dias em que os aspectos eram particularmente relevantes, olhei para trás, de Janeiro até agora e também daqui para a frente até Janeiro que vem. Achei a narrativa do percurso dos planetas no meio das estrelas quase excessivamente complexa e receei também que o meu próprio desejo que tudo fique bem influenciasse a leitura.

No entanto, tentar pôr por escrito, – o que implica desde logo uma escolha discutível – quais os agentes e tempos de maior impacto dessa sequência de eventos nos Céus e a sua correlação potencial com o que se passa em Terra, ajudou a sistematizar uma imensa informação.  Ficará sempre aquém do que de facto vai ser em termos colectivos e ainda mais se quisermos apenas ver o particular. Mas pode servir de base para debate, para afinar interpretações e para pensarmos como é que esse calendário se encaixa no que o nosso próprio horóscopo propõe como sequência evolutiva.

Os Céus em Junho

Junho tem em agenda dois eclipses. Um penumbral da Lua Cheia, a 5 de Junho, a 15.34  graus de Sagitário com o Sol a 15 de Gémeos e um eclipse anular do Sol, conjunto à Lua Nova, a 21 de Junho, no dia do Solstício, a 0 graus de Caranguejo. Um eclipse anular do Sol, em imagem para ilustrar este texto é sempre visualmente um anel de Fogo nos Ceús.

Junho herda de Abril e Maio a retrogradação de Plutão, Saturno, Júpiter e Vénus assim como o ingresso dos Nódulos no eixo Sagitário-Gémeos. A 19 de Junho, Mercúrio entra retrógrado. A 23 de Junho, no dia que Plutão e Júpiter estão novamente conjuntos por retrogradação, Neptuno também entra retrógrado e Vénus fica directa no dia 26. Isto é o que dizem as tabelas. Podemos apenas especular sobre as cascatas de eventos ou comoções que conjuram…..

No entanto, o carácter cíclico dos movimentos planetários permite fazer outras tabelas. São tabelas de correlação temporal, listagens de acontecimentos históricos, descobertas científicas, crises políticas e económicas, epidemias e guerras, desenvolvimentos e inovações, conflitos sociais e jogos de poder. Claro que não há dia em que não se passe quase tudo isto em simultâneo mas há sempre o fósforo que acende a chama e o tempo que dura a vela. É a identificação dessas ignições e tempo de combustão e o seu paralelismo com ciclos específicos planetários que ajuda a melhor entender o Tempo em que se está e às vezes mesmo o que está para vir.  O caso da interpretação dos eclipses é paradigmático.

Interpretar eclipses

Não se pode falar de eclipses- outra correlação, lol- sem falar de Bernardette Brady,   astrónoma, astróloga, antropóloga e mais, que estudou em profundidade a natureza cíclica desses fenómenos e como os interpretar.

Com base num conhecimento tão antigo como a Babilónia a que acrescentou o que cientificamente consegui aprofundar no seculo XX,  Brady lembra-nos que cada eclipse pertence a uma série Saros; cada série Saros produz um eclipse cada18 anos e 9 ou 11 dias; cada eclipse Saros move-se entre 10 e 11 graus em longitude Zodiacal; cada eclipse Saros tem data de origem precisa e um percurso ao longo de 1300 anos. Brady acrescenta que cada eclipse de cada série Saros exprime a energia do eclipse inicial da série.

Posto isto, não podemos analisar os eclipses levemente como apagões do Sol nos signos em que ocorrem… É preciso ir ver quais os aspectos que marcaram o eclipse inicial da série pois é essa condicionante que se vai fazer sentir ao longo dos 1300 anos de caminho. Segundo Brady há séries mais simpáticas e outras mais funestas. Todos começam num Polo Norte ou Sul, tanto os eclipses do Sol como da Lua. As séries Saros Lunares, longas de 800 anos, dão 45 a 47 eclipses por série.

É complexa toda a informação sobre estas séries, sua origem, percurso, fim e sentido dado pelos aspectos planetários em acção ao tempo da origem do primeiro da cada série mas Brady já fez todo o trabalho de casa. Dez anos de investigação e teste sobre os eclipses solares permitem-lhe dizer que a interpretação não depende do astrólogo!  Os eclipses são o que são…

Então que são estes eclipses de Junho e qual é a sua relevância?

O eclipse da Lua a 5 de Junho a 15 graus de Sagitário é o primeiro dos eclipses no eixo Gémeos-Sagitário que até Dezembro de 2021 vão apontar encruzilhadas entre a verdade e a trivialidade,- ex.Twitter versus Trump,  o crescimento e a dispersão, a sabedoria e a comunicação, os interesses da banca e os do comércio.

O eclipse do Sol conjunto à Lua a 0 graus de Caranguejo no dia 21 vai ser o último do Sol no conjunto de eclipses de Sol e Lua no eixo Capricórnio Caranguejo que desde o Verão de 2018 nos confrontam com opções entre segurança emocional e segurança formal, o que é do foro doméstico e do foro governamental, sentimentos e autoridade, o povo versus o poder. Este é um tipo de interpretação linear destes eclipses.

Mas para Brady, o eclipse do Sol no Solstício de Junho faz parte da série Saros 137 ou 4 Norte que, pelas leis do cosmos tem cada eclipse Solar excepcionalmente acompanhado, em vez de um, por dois eclipses Lunares. São eles o penumbral da Lua a 5 de Junho, a 15 graus de Sagitário e o de 5 de Julho também penumbral a 13 graus de Capricórnio.

Ou seja, na interpretação de Brady, estes eclipses têm uma assinatura que, para além da leitura da dinâmica Sol/ Lua- consciente/inconsciente em apagões e revelações, fins e começos tem de ser entendida através dos aspectos planetários vigentes quando no primeiro eclipse dessa série, segundo os cálculos astronómicos a 25 de Maio de 1389. O que se passou neste eclipse inicial é o substracto dos seguintes, por aí fora, temperados por outros aspectos do dia que, mesmo que atenuam ou exacerbem nada retiram à carga inicial. Os últimos foram em  1912, 1930, 1948, 1966 e 1984. Temos agora o mesmo Saros em 2002 e o próximo da série está previsto para 2038…

A marca dos eclipses de Junho

Fiz o horóscopo de 25 de Maio de 1389, não porque desconfiasse das conclusões de Brady mas porque queria ver com os meus próprios olhos esses aspectos que perseguem a humanidade no caso deste ciclo Saros que Brady considera “difícil”. Fala de “restrições, inibições, controlos, separação, ilusões, eventos que ocorrem e bloqueiam o indivíduo que por sua vez pode cometer erros de julgamento sobre a situação e sobre a sua própria capacidade, devendo por isso esperar que passe o eclipse antes de agir concretamente”.

Tenho aqui de agradecer à Catarina Antunes os What´s ups com os apêndices e tabelas do livro de Brady e ao longo Skype em que quase eclipsamos a Brady com desvios para horóscopos mundanos…

Sim, esse primeiro eclipse Solar da Serie 4 Norte ou 137 não prometia nada de bom. . Curiosamente deu-se a em quincúncio a Júpiter, a 12 graus de Gémeos praticamente onde terá lugar o eclipse penumbral da Lua de 5 de Junho. Tinha Plutão conjunto ao Nódulo Norte em Touro em quincúncio a Júpiter e Saturno em Leão no meio-ponto de quadraturas tanto a Plutão e ao Nódulo como a Vénus conjunta a Neptuno também em Touro.

É um eclipse que soletra de facto mudanças de valores que ocorrem de forma sofrida, geridas por pulsões de poder, baseadas em ilusões que destroem outras ilusões…e muita dificuldade financeira à mistura…

O Saros 4 e a História

Graças à idade, não foi preciso ir à Wikipedia para imediatamente associar as datas do Saros 4 Norte do século XX as datas que antecederam a I Grande Guerra, a II Grande Guerra, a Guerra Fria, o pico da guerra do Vietman e guerra da Coreia, o agravamento da guerra entre o Irão e o Iraque e o tempo entre o ataque em Nova Iorque no 11 de Setembro de 2001 e a invasão do Iraque em 2003. O mundo está sempre em guerras mas estas foram de facto marcos fundamentais na história global pela violência envolvida, vidas perdidas e recessão económica. Brady chamar a estes ciclos “difíceis”, certamente para não ser chamada de alarmista…e história nunca se repete, repetindo-sempre noutros cenários e com novos protagonistas…

Esta é assim a marca da série Saros de eclipses solares como o do Solstício que se avizinha este mês.  De uma forma menos complexa, ao verificarmos a repetição de aproximadamente 18 em 18 anos de eclipses nos mesmos eixos ou pares opostos de signos, podemos recuar a 2001/2 em que curiosamente Saturno esteve oposto a Plutão entre Gémeos e Sagitário no grau do próximo eclipse lunar de 5 de Junho e a 1982, ano em que também curiosamente Saturno esteve conjunto a Plutão em Balança.

Em 1982 deu-se a Guerra do Líbano em que intervieram forças multinacionais lideradas pelos EUA, contra forças locais apoiadas pelo Irão que abriu caminho para os conflitos regionais em que desde então Washington e Teerão se confrontam.

Em 2002 o eclipse também fez parte da série Saros e abriu caminho à invasão do Iraque pelos EUA e tropas multinacionais.

Saturno e Plutão também têm um papel

Em Janeiro deste ano de 2020 Saturno e Plutão fecharam o ciclo de poderosa aliança de forças que firmaram em Balança em 1982, unindo-se em 22 graus de Capricórnio, em simultâneo com um eclipse de penumbra da Lua a 20 graus de Caranguejo. Foi o sinal para o que vai ser a nova ordem deste ciclo, novos poderes totais que se anunciaram, uma ordem marcial de imenso alcance quando Marte e Júpiter em Março passaram os pontos dessa conjunção Saturno a Plutão de Janeiro.

Acabou o tempo das alianças, fecharam-se fronteiras, os países do mundo inteiro procuraram abrigo em si próprios, as pessoas isolaram-se em casa e o proteccionismo autoritário procurou defender o globo de um inimigo invisível mas comum, o vírus Covid 19. Proteccionismo, contenção,  restrições globais ao movimento que afectam pessoas, comercio, economia, trocas de saber. A recessão que vai derivar do fecho do mundo durante esta primeira metade do ano, avisam os governadores dos bancos centrais, será de uma dimensão nunca vivida.

Voltando às interpretações de Brady,  devemos então ver neste mês de Junho um eclipse de uma série que ilustra restrições, bloqueios e pouca clareza na percepção do que se está a passar. E quais são os aspectos específicos?  Por ocorrer no Solstício, em 0 graus de Caranguejo, em conjunção fora de sigo ao Nódulo Norte e em quincúncio a Saturno em Aquário e em quadratura larga a Neptuno e Marte em Peixes, reforça a ideia de que vamos acreditar que estamos em segurança, que não queremos nem precisamos de restrições mas de facto tudo isso pode ser ilusão… ilusão essa que vamos ter de rever rapidamente porque Neptuno entra retrógrado dias depois do Solstício, a 23 de Junho,  seguido de Vénus directa em Gémeos a 26,  encorajando o comércio e as viagens e relações económicas, como se tudo fosse como dantes…

No mesmo dia em que Neptuno entra retrógrado Júpiter e Plutão ambos retrógrados fazem a segunda conjunção do ano- a primeira foi em plena crise Covid, em Março, e a última, com ambos directos, será em Novembro. Estes são sinais de injecções financeiras no sistema internacional e de reforço de poderes políticos.

Em Março, foram os primeiros apoios possíveis, agora preparam-se apoios muito maiores para suportar em Novembro os impactos, já em plena crise, da recessão anunciada. Júpiter e Plutão juntos em Capricórnio distribuem os financiamentos mas também simbolizam mãos firmes no poder, tendências populistas totalitárias, governantes que se pensam deuses como Trump, Bolsonaro , Lopez Obrador…

Trump e os eclipses em Sagitário- Gémeos

A questão da ilusão de poder, a consciência e sombra desses impulsos totalitários começa a ser revelada no eclipse penumbral da Lua a 5 de Junho, em que esta, em Sagitário, se opõe ao Sol em Gémeos, ambos em quadratura a Marte e Neptuno em Peixes, com o Sol em quincúncio a Júpiter e Plutão em Capricórnio.

Trump nasceu num eclipse a 14 de Junho de 1946, com a Lua em Sagitário, oposta ao Sol conjunto a Urano e ao Nódulo Norte em 22 graus Gémeos.  O eclipse de 5 de Junho afecta-o mas mais ainda o afectará o eclipse de 14 de Dezembro que será um eclipse total do Sol em 23 graus de Sagitário, oposto ao seu Sol, Urano e Nódulo Norte natal e conjunta à Lua.

Trump está neste mês de Junho, em que segundo Brady, se deve ficar quieto, a agitar-se cada vez mais nas redes sociais, entrando em conflito com o Twitter e FB que alertam para a potencial falta de verdade das suas declarações e a incitar à repressão violenta das manifestações sociais contra o racismo e abusos da força policial, manifestações essas  que por sua vez são agitadas na sombra por extremistas de direita que apoiam Trump.

 

Leia aqui a Parte II 

e a Parte III

3 thoughts on “Que pensar dos Céus de Junho 2000 a Janeiro 2021??? – Parte I- A marca dos eclipses

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  1. Não há excesso algum Rosita Iguana….é a Paixão que a move e é bom sentir isso….é mesmo bom….devora-se com uma vontade imensa estas análises brilhantes.Obrigada e um abraço forte.Parabéns!

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